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QUANDO O SOL NASCE

Quando nasce o sol
Todo o povo levanta
Pra coar o café
E cuidar da vida
Uns montam a cavalo
E seguem em galopada
Outros pegam a inchada
A foice o machado
Negócios de gado
No povoado vizinho
Alguns vão à cidade
Comprar a carne o toucinho
E a vida prossegue
Na mesma ilusão
Alguns foram pra longe
Pra buscar solução
A fé de um povo
Puro verdadeiro
Em um sertão de nordeste
Brasileiro...
1




















Ladainhas e benditos
Pedidos de muita fé
Senhora de aparecida
Jesus cristo são José
Plantam feijão plantam milho
E esperam a colheita
E o pedido da chuva
Sempre mansa criadeira
Folias de santos reis
Fogueira de são João
Santo Antonio casa as moças
Em são Pedro a devoção
Ofícios e orações
Benditos e ladainhas
Na expressão de um rosto
No enfeite da lapinha...





2



















O menino brincava com passarinhos
E corria nos campos e nos quintais
Percebia a beleza nos cafezais
Pois aquele lugar era o seu ninho
O menino voava na imensidão
Pensando que o vento fosse luar
E sentia forte o seu coração
E não entendia aquele pulsar
O menino das cores e dos amores
O menino das dores e das paixões
O menino das coisas e das canções
O menino da vida e das flores
3




























Ferro de brasa passava a roupa
Na radiola uma canção
E no cabelo a brilhantina
Vestindo a roupa
Feita a mão
Sapato novo
De pouco uso
E a folia é sempre igual
O povo pobre é mais feliz
No são João ou no natal
Riqueza mora em cada mente
Vida semente
No ser quintal



4
























As flores de prima vera
Postas em sua janela
Um perfume abstrato
Que lembra a eternidade
Vento que sobra tranqüilo
Brisa de onda de mar
Gosto de banho no rio
Pitanga doce araçá
Peixe salgado de feira
Água para refrescar
Mordida em manga madura
Ou sabor de nossa lida
Abraço meigo de mãe
Cores para a visão
Sabor de vida surgindo
Enramando pelo chão



5





















...Longe ouvia-se o som
Lagrimas de uma menina
Que ainda na infância
Sofre uma triste sina
O pai discute com a mãe
Palavras ofensas desilusões
O sonho é corrompido
As vidas sem emoções
A menina é agredida
Com o couro do correão
A lagrima é engolida
O corpo exposto ao chão
A menina perde a vida
Um murro um empurrão
E assim uma ferida
Amarga o sabor da infância
De uma menina canção
6
18 set 2010






















Onde os pássaros cantam
E as estrelas dormem
Ondas e luar
Fazem a canção
A vida renasce
Das cinzas ocultas
Dos dias de luta
Do abraço irmão
É chuva pra sertanejo
Beijo de moça bonita
Degustar de carne frita
Saciar de desejo
É o vento o vendaval
A Amazônia do mundo
Donzelas brincando nuas
Na lua do meu quintal
O açúcar e o sal
Que dão sabor ao planeta
O cuscuz que alimenta
Renascença alvorecer 7





















Lua nova
Clareando o sertão
É sinal de noite alegre
De conversas demoradas
Gargalhadas
E casos de assombração
No terreiro
A molecada corre
Outros vadiam de roda
Nas cantigas e nos versos
E a vida passa
A infância quase voa
O tempo é de esperança
Bonança e chuva boa

8

























Entre o passado
E a invasão
A identidade
Ou a escuridão
Entre o corpo e o beijo
Dor desejo
Ventania tempestade
Calmaria tranqüilidade
Nada é como o mar
Dos teus olhos a me olhar


9





























Entre o meu ser
Entra a palavra viver
No florecer da luz do dia
Ou na magia do entardecer
Sou timido e triste
Como a moça bonita de Uberlândia
Sigo sozinho
Sem nenhum caminho
Ou caminhada de esperança
O vento que entra
Entre a janela
Revela a primavera
Outro alvorecer
Uma lagrima cai
E sangra o meu peito
Sou leito de rio
E sigo na água corrente
No fim da tarde
O vento me bebe
Eternamente 10
















Não é preciso chorar
Pois estarei aqui
Quando o sol não mais surgir
E a vida te buscar
Não é preciso chorar
O amanhã é incerto
O teu ca
minho indefinido
Nada ira se revelar
O ceu esta nebuloso
A terra insatisfeita
Não é tempo de colheita
Na vida tudo é sonho

11








Repouso em sonho leve
Em sonho breve de amor
Na gota de cada orvalho
No desaguar do rancor
Repouso no cais do porto
E no gemido de dor
Sou a criança que chora
Entre o salitre e a esmola
Sou peixe e pescador
Eu sou a mulher da vida
Sou lambida com desejo
Mas o beijo verdadeiro
Ainda nunca senti
Carregando a minha dor
E o desejo de um amor
Na cançao de bem-ti-vi
Na canção do bem-ti-vi
Vou levando a lembrança
Do meu tempo de criança
Na chacra do meu avó
Onde eu era feliz
E via os colibris
Sentia o cheiro da flor
Em cada flor a pureza
Contida na natureza
No desejo de amar
Nectar de beja flor
Sentindo o explendor
Na canção do sabiá
...Na canção do sabiá
A fulô de laranjeira
O macuco na madeira
Araponga pelo ar
As blomelias e ortencias
E as bananas nanicas
Os meus olhos lsgrimejam
Que saudades do meu lar
12










Os reiseiros vão chegando
Com batuques de alegria
No raiar de um novo dia
A vida vai se animando
Pega a caixa e o pandeiro
E a lua no terreiro
Folias de santo reis
Eu pesso sua licença
Um pouco de atenção
Eu venho lá da chapada
Pra mostrar minha canção
Nosso povo tem herança
Da cultura popular
Eu só sou um cantador
E vim agora cantar






13








Meu avó foi um vaqueiro
Que andou na região
Enfrentava muito sol
Fez muito calo na mão
Iaiá era rezadeira
No dia de são josé
Juntavam a comunidade
Resavam com muita fé
E eu acabei sozinho
E me tornei cantador
Hoje com minh Entre o sonho e o silêncio
O escuro e o mar
14




Africa bahia sonhos
Porto cais a remansar
Muitos negros já sofreram
Muita gente que passou
Ventos ondas alegrias
Bahia
Do outro lado do mar
As sinzas do porão
E do lado de cá
Esta invasão
Corri entre o tempo
E o gris do chão
Terra de inspiração
E a saudade
De nossas velhas canções
15








A lua surgiu na beira da serra
Eu vou retornando de volta ao lar
Os calos das mãos no cabo da enchada
Agua na cabaça pra cede matar
A minha mula é baia
O meu chapeu é de couro
Meus pés rachados da lida
A serra é meu tesouro
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Morro do pai Ignácio
Vento sopra na grandeza
Contemplar a natureza
É dialogar com deus
A historia de um escravo
Que apaixonou-se por branca
Nos deixando a lembrança
Uma imaginação
Do outro lado
Ver-se a amplidão do mundo
Um sentimento profundo
Invade meu coração
É a coragem do negro
Que pulou de guarda chuva
Ou se escondeu-se n’uma curva
Para fingir que morreu
A lenda é contada
Com um brilho no olhar
Minha chapada bonita
Minha terra meu lugar
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Paraguaçu rio corrente que deságua
E vai levando água doce para o mar
Carregando minhas dores e as magoas
Deixando em mim um novo ser revigorar

E pelas pedras eu renasço a cada dia
Na alegria de um novo amanhecer
Pois é tão linda a serra ao anoitecer
Como os causos que outrora eu ouvia

Esta cultura do divino da rabeia
Em fé seguindo sempre sua tradição
O povo honrando sua gente o seu chão

E tão tranqüila qual serena é a gente
Sentindo o gosto a vida o existir
A lua surge pra olhar Andaraí

18




Rio das contas ciclo do ouro
Historia de um povo fé e labor
A tua arquitetura passada futura
Parte de uma cultura que um povo deixou

Coronéis travaram lutas neste chão
Abusaram tuas virgens na pureza
As mulheres eram todas do barão
E servia sua cama sua mesa

E os pobres eram sempre divididos
E nunca se misturavam a nobreza
Pois o pão sempre faltava em sua mesa

E os ricos em sua nobre galanteza
Sempre tinham a fartura em sua mesa
Deixando os pobres cada vez mais esquecidos


19




Os meus carrinhos de lata
Hoje me fazem chorar
A infância foi vivida
Nunca será esquecida
A minha vida meu lar
Com um cavalo de pau
Eu brincava no terreiro
O frio do mês de julho
As festas do padroeiro
Estão em minha memória
Como todas as estórias
E todos os meus brinquedos
Bola de gude peão
Fogueira de são João
Procissão mês de janeiro
Lembrança da mocidade
Olhos rasos de saudades
Do meu povo verdadeiro
Hoje as crianças
Esquece-se de brincar
Os meus carrinhos de lata
Nunca mais irão voltar
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Instituto Intercidadania em 18.06.2011 às 23h05

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Este conteúdo tem 1 Comentários

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  1. Gilberto Teles comentou:
    em 13.05.2012 às 23:06

    Meu amigo Ioia Brandão, parabéns pelo talento!
    Você é orgulho para nossa querida Seabra.

    Parabéns pessoal pelo site!

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