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Entrevista - DJ VirguLinux

Entrevista – DJ VirguLinux (iteia.org.br/virgulinux)


Das ondas do rádio à sonoridade de bits e bytes. A internet deu liberdade à expressão, à arte, à música. O artista mais próximo de seu público, mais soberano sobre sua obra. A cultura popular e tradicional reverberando suas raízes e amplificando-se por gerações. Desde 2011, DJ Virgulinux embala encontros de ritmos e criações de artistas que oferecem ao público acesso livre às obras, sem intermediários. As noites do Encontro de Culturas Popualres e Tradicionais em Serra Talhada (PE) vibrou ao som de muitas dessas músicas, apresentando aos participantes outras formas de conhecer, pesquisar, trocar e viver culturas. Vamos saber como isso funciona?


 


- Desde quando DJ VirguLinux atua, como surgiu?


DJ V: As apresentações do DJ VirguLinux começaram em janeiro de 2011 em Salvador (BA), fruto de estar morando há dois anos na Bahia e saudoso pelas noites de cultura popular que regaram minha vida universitária em Recife. A primeira edição da Noite Música para Bailar foi realizada no Rio Vermelho, no bar Tarrafa com a participação de outro projeto Pernambucano chamado MaracaTunes (http://www.iteia.org.br/jornal/som-do-mangue-abre-noite-pernambucana-na-bahia) que envolvia ritmos pernambucanos com batidas eletrônicas. 


O DJ VirguLinux, além da cultura popular e do manguebeat, bebeu na fonte direta da Cultura Livre e do Movimento Música para Baixar (iteia.org.br/musicaparabaixar) que reúne artistas que disponibilizam músicas livres e incentivam o download e compartilhamento da sua produção pelo seu público através da internet. Como desde 2007 coordeno a Rede Colaborativa iTEIA e desde 2010 realizamos gravações com a Produtora Colabor@tiva.PE, o acervo de músicas livres disponiveis vinha crescendo e como isso não toca na rádio comercial, o papel do DJ é divulgar essa produção e os links onde o público pode além de dançar, acessar para ouvir mais, baixar o que tiver interesse e compartilhar livremente com seus amigos.


- O que tem de diferente em relação a outros DJs?


DJ V: O DJ VirguLinux toca excusivamente músicas livres disponíveis em licenças livres (ou copyleft, como por exemplo as licenças Creative Commons) ou que já cairam em domínio público. Desta forma seu SET LIST é na verdade um SET de LINKS onde as pessoas podem baixar além da música que estão ouvindo, outras faixas do artista e conhecer mais sobre estes produtores independentes. O projeto MPB (Músicas para Bailar) tem um foco em músicas dançantes nordestinas, dando outro significado a sigla (Maranhão, Pernambuco e Bahia), os três estados de maior influência negra na região. Como a cultura popular se disseminou graças a oralidade e longe das amarras das patentes (o passo de coco, a batida do maracatu e o ritmo do frevo são exemplos de conhecimentos livres) o papel deste trabalho e seguir adiante ecoando artistas que mantem a suas obras derivadas da matriz original, livres como a base que os inspiraram. Assim trabalhando exclusivamente com obras que estão previamente autorizadas para reprodução e distribuição, este trabalho não pode ser cobrado pelo Escritório de Arrecadação de Direitos Autorais, o famoso penetra de festa que além de não ser convidado não gosta de sair de bolso vazio. 


- O que guia a escolha dos sets?


DJ V: A escolha do SET depende diretamente da temática do evento, interesse do público presente e das outras atrações que se apresentarão conjuntamente. Por exemplo, quando fui convidado para o Festival Internacional Viva Dança em 2013 (http://www.festivalvivadanca.com.br/2013/v1/en/noticias/63-varanda-vivadanca-segue-com-programacao-intensa-no-passeio-publico-ate-domingo) o set foi pensado para circular pelo universo dançante da cultura popular, passando pelo frevo, forró, coco e ciranda. Em julho deste ano, em uma apresentação no Fórum Internacional de Software Livre em Porto Alegre, abri a noite para a banda de punkrock Replicantes. O público estava todo de preto e acho que ninguém devia conhecer quem era Lia de Itamaracá (risos). Meu set foi muito mais focado na produção independente da cena pós manguebeat e também alguns clássicos que artistas nordestinos liberaram para baixar em suas páginas oficiais como por exemplo a banda Devotos e Eddie (http://www.bandaeddie.com.br/).


- Que gêneros toca,  quais são priorizados?


DJ V: Considero que todos os gêneros quando bem tocados e no momento certo da noite são bem vindos. Gosto de priorizar a mistura de gêneros e ritmos como por exemplo apresentações ao vivo do DJ Big na Rua da Moeda onde ele junto com Adiel Luna misturam o repente com rap e o afoxé com música eletrônica (http://www.iteia.org.br/videos/expoidea-2012-apresentacao-de-dj-big-e-convidados-2-parte1). 


Nas noites Música Para Bailar quando os holofotes estão nos ritmos dançantes da cultura popular nordestina, sempre tem espaço para o samba de roda, o forro de rabeca e o coco de roda, contando sempre que possível com a presença e participação dos mestres como o coquista Zeca do Rolete (http://www.iteia.org.br/videos/2-edicao-do-noites-musica-para-bailar-zeca-do-rolete)  e o repentista Bule Bule (http://www.iteia.org.br/videos/noites-mp3-b-musicas-para-bailar-no-teatro-vila-velha-ba).


- Como funciona a autorização de difusão das obras?


DJ V: Os artistas interessados em ter sua música no SET do DJ VirguLinux precisam disponibilizar sua música na internet e autorizar publicamente a reprodução e compartilhamento de suas obras autorais. Isso pode ser feito no site oficial do artista ou em algum acervo multimídia que ofereça o licenciamento livre de conteúdos, por exemplo a Rede Colaborativa iTEIA (iteia.org.br) e aqui no estado a Rede Pernambuco Nação Cultural (rede.pe).  Estes acervos oferecem cadastro gratuito e mais de 6 tipos de licenças livres diferentes para que o artista escolha como deseja disponibilizar para sociedade essa produção. O papel do DJ é de pesquisador na rede, garimpando novas produções independentes e dando visibilidade nas suas apresentações a essas obras. O SET de LINKS do DJ VirguLINUX é literalmente o mapa desta mina.


- Como funciona a disponibilização do acervo?


DJ V: As músicas que são tocadas estão espalhadas em diferentes servidores da Rede, assim sempre que uma novo conjunto de obras é descoberto o SET de LINKS é atualizado para uma nova versão, como se faz com um software livre como o LINUX. Atualmente o SET de LINKS encontra-se na versão 3.0, entitulada “Nordeste Independente” (http://www.iteia.org.br/textos/virgulinux-set-links-v30-nordeste-independente). Nesta página existe uma separação por gênero músical e os respectivos endereços na internet para baixar as obras disponíveis em copyleft.


- Como foi a experiência de Virgulinux tocar na terra de Virgulino Ferreira, o Lampião?


DJ V: Foi uma experiência única pois além de estar pela primeira vez tocando em Serra Talhada (PE), berço do cangaço e da poesia no sertão do Pajeú, também foi minha primeira participação no Encontro de Culturas Populares e Tradicionais, então tive de preparar um set diferente para cada noite de apresentação, pois passaram pelo palco principal  violeiros como Adiel Luna, mestras de ciranda e coco como Lia de Itamaracá e Mãe Beth de Oxum, o forrozeiro Azulão e o samba de raiz da velha Guarda da Mangueira. 


Sobre a homenagem a Virgulino tenho certeza que se Lampião estivesse vivo atualmente e navegasse com seu bando pelos confins da internet não estaria interessado em consumir e fortalecer grandes gravadoras. Com sua fama de héroi do sertão e que tirava dos ricos para dividir com os pobres,  posso imaginar ele garantindo acesso a quem tem sede de beber na fonte da cultura popular Brasileira. 




Por Stephany Cardoso

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Este conteúdo tem 1 Comentários

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  1. Sandro Barros comentou:
    em 05.12.2015 às 19:36

    Virgulinux, música livre, e de qualidade!

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