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Além dos estádios


Quem viu na época, ou depois, as imagens da Seleção de futebol brasileira no Haiti, não a partida, mas a chegada ao país, os jogadores pelas ruas, os depoimentos dos haitianos, a pobreza adornada de sorrisos e desprendimento com luxo, regras da Fifa, camisas oficiais ostentadas no lombo, se importar com o resultado contra de 6x0, viu mais que competição, atividade física, viu ainda que não tenha a paixão nacional, uma emanação de energia. E não foi por idolatria, não é só idolatria. É diversão, sonho e trabalho para um dia terem uma seleção como a nossa, como se sonha ter uma de basquete como a dos americanos ou correr como os quenianos.




Para os haitianos e para tantos outros povos, com o poder da comunicação global e informatizada em pareja com o boca a boca, os mitos e lendas mortas e vivas de um esporte tão vibrante dentro e fora de campo são um baú de histórias e sonhos. Para essas pessoas, acreditar que acreditar muda o jogo é de nascença, eles acreditam que acreditar pode mudar suas vidas, acreditar é de graça, acreditar alimenta a alma e assossega o corpo, para essas pessoas vibrar com um gol é alegria de sobra, para elas não precisaria toda uma produção, eles tem bem menos do que o muito pouco que vamos oferecer.


Para seleção da Bósnia, por exemplo, estar na copa e ser aqui, é uma glória e nenhuma manifestação ou mal acabamento de assentos, serviços de transporte ou hospedagem por pior que sejam é como o que viveram e vivem eles em seu país de origem




Acho que não é certo se gastar o que se gastou com a copa, muito dinheiro superfaturado e mal gerido, com saúde, educação e segurança pública precisando de verbas e atenção, não sei dos acordos dessa verba toda, dos meios e possibilidades de tal aporte ser investido no que se precisa. Prefiro pensar, já que nada posso mudar, no princípio econômico de que capital gera capital e desejo que pelas beiradas de uma forma ou de outra o evento traga benfeitorias aos médios e pequenos comerciantes e alegria e satisfação aos pequenos brasileiros que nada entendem de política e problemas sociais. Que se alimentem de sonhos, torcida e patriotismo para quem sabe no futuro mudarem o jogo.


O que não foi e não for bem feito, as faltas e falhas, que seja como em churrascos na laje para 10 pessoas que vão 100, ninguém come, bebesse menos que se deseja, conversasse muito, não há espaço, todo mundo fala mal depois, mas na hora todo mundo se diverte.




Sentida por não ser acessível ir ver os jogos para grande maioria, eu não investi nessa extravagância e venho apesar de achar lindo o espetáculo criando uma postura retraída atrelada a política e ao circo da mídia. Uma cobertura exagerada, massante, de pouca imparcialidade no que tange ser um evento de todo o mundo e não nosso, um que de exibição, falação demasiada e a observação de que saindo tudo bem parece que o governo trabalhou direitinho e isso será usado nas eleições como moeda de troca por votos.


Temo pela violência que vai pegar carona nas brechas. E esse, vale pontuar é um problema social e não um problema da copa, assim como não é um problema a loucura do brasileiro por futebol e sim o questionamento do porque tanta gente é louca por futebol, que tem explicações poéticas, históricas e sócio-econômicas.


Ama-se futebol pois é tradição, porque bola para chutar dá pra ser uma tampinha, papel amassado, meias e todo menino é um rei com uma bola no pé. Porque é cultural, como é cultural outros esportes em outros lugares, que reverenciam e valorizam o que lhe é próprio. Ama-se pois é porta para sair da pobreza e tirar a família do morro para um bairro nobre, upgrade de pão com ovo para lagosta.




Para muitas pessoas, vir ao Brasil é como ir a Meca da bola, que rola nas ruas e nos grandes estádios mundo a fora, onde os olhos brilham, os dribles encantam, os famosos e anônimos, pequenos e grandes fazem acrobacias circenses, passos de balé e verdadeiras pinturas com a bola no pé. Sorrisos, ginga, comemorações, histórias de vida que pela ponta da chuteira deram um bico na pobreza e fizeram o gol dos sonhos, seus, de seus pais, de um irmão, da comunidade onde cresceram.




Tratemos bem os turistas, falemos bem de nossa pátria, nossos costumes, nossas dores eles sabem, não é a copa que vai mostrar isso a ninguém. Aproveitemos para desfazer o que faz a mídia, e desfolclorizemos nossa gente, hábitos, linguajar. Quem é de pouco a bem informado e veio para cá, sabe de nossas deficiências, quem não sabe vai descobrir, como descobrimos as mazelas aonde vamos.


Sejamos orgulhosos de nossos lugares, culinária, tesouros históricos, orgulhosos de nossos heróis, atletas, títulos, de nosso escudo de representação mundial, sejamos verde esperança em um Brasil melhor, solares em amarelo canarinho, azuis do mar, do céu e branco paz. O juiz vai apitar, que seja hexa ou não, que haja uma boa história de bola, sejam em que pés forem, para contar. Que haja no mínimo civilidade, que não hajam histórias ruins, feias e que se houverem dentro ou fora dos gramados rusgas, que Nossa Senhora Aparecida, nossa padroeira, acuda.


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Instituto Intercidadania em 11.06.2014 às 12h01

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