Na abertura da II Conferência Nacional de Economia Solidária, em 16 de junho de 2010, Ladislau Dowbor apresentou uma versão contemporânea dos 10 mandamentos em tom descontraído que motivou risadas e provocou os participantes da CONAES a repensarem seus padrões de consumo. Ao ver o Planeta em crise e a necessidade de transformarmos práticas e valores para preservar a vida, Ladislau organizou as recomendações de forma criativa, todas baseadas em experiências que deram certo e podem ser adaptadas e adequadas à diversidade de cada localidade.
1 – NÃO FARÁS CONTAS ERRADAS – este mandamento aponta a necessidade de reformulação do PIB e a criação de indicadores que considerem a qualidade de vida e reflitam os alcances da economia solidária. A conta certa, segundo Dowbor, é pensar o que estamos produzindo, para quem e com quais custos ambientais, o que requer contabilizar resultados e não apenas fluxos como faz o PIB.
2 – NÃO REDUZIRÁS O PRÓXIMO À MISÉRIA – prevê o acesso universal à renda básica de cidadania e o reequilíbrio da política econômica e o assistencialismo. Algumas coisas não podem faltar a ninguém!
3– NÃO COMPRARÁS O ESTADO – aponta a necessidade de construção da bancada do cidadão e da consolidação da reforma política de forma ampla, participativa e democrática.
4 – NÃO PRIVARÁS NINGUÉM DO DIREITO DE GANHAR O SEU PÃO – este mandamento revela que universalizar a garantia do emprego é viável e que é preciso encontrar outras formas de emprego, para além do emprego público e privado. A economia solidária aponta para a diversificação das formas de trabalho e deve se constituir como uma alternativa à precarização dessas relações.
5 – NÃO TRABALHARÁS MAIS DO QUE 40 HORAS – é preciso garantir as condições básicas da qualidade de vida e podemos trabalhar menos, e trabalharemos todos. Este princípio estimula a economia da cultura e de lazer, ao liberar tempo dos trabalhadores e trabalhadoras a diversificarem suas atividades, e experimentarem o consumo e a prática de iniciativas artísticas e culturais.
6 – NÃO ORGANIZARÁS A TUA VIDA EM FUNÇÃO DO DINHEIRO – a relação da felicidade com o dinheiro não é uma relação direta e proporcional. É claro que o dinheiro rende felicidade, principalmente por permitir melhores condições de vida, mas a mudança de comportamento e de estilo de vida deve constituir um resgate do bom senso. Esse mandamento aponta para a necessidade de transformar padrões de consumo e desvelar a estupidez do consumismo, o que requer transformar o estilo de vida e garantir equidade na distribuição.
7 – NÃO GANHARÁS DINHEIRO COM O DINHEIRO DOS OUTROS – propõe a dinamização da economia por meio da descentralização e igualdade de oportunidade. Este mandamento revela a necessidade de romper com os intermediários e com a especulação financeira.
8 – NÃO TRIBUTARÁS AS AÇÕES QUE MAIS NOS AJUDAM – este mandamento questiona a tributação excessiva dos assalariados e propõe que aqueles que tem muito dinheiro contribuam mais. É papel do Estado fazer a redistribuição de recursos, mas é preciso distingui-los e medir questões como emissão de dióxido de carbono para tributá-la, o que por sua vez, reforça a necessidade de efetivar a reforma tributária
9 – NÃO PRIVARÁS O PRÓXIMO DO DIREITO AO CONHECIMENTO – situa no centro do debate a democratização do acesso à informação e à cultura, reforçando que o conhecimento é hoje a base do sistema produtivo. As novas tecnologias são peças-chaves deste mandamento, bem como o trabalho em rede, pois quanto mais o conhecimento circular, mais o planeta se enriquece, mais a economia se dinamiza.
10 - NÃO CONTROLARÁS A PALAVRA DO PRÓXIMO – pela liberdade de expressão, pois a democratização da comunicação é essencial.
Para mais informações, visitem a página do Professor Ladislau Dowbor:
http://www.dowbor.org/