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Enviado por
Na quebrada (RS)

16/03/2008 - 18:37

Pequena reflexão sobre a loucura

Autor(es)
Marcos Goulart (RS)

Não há um critério convincente de definição da loucura, pois até mesmo a definição de um discurso do louco, necessariamente precisa de uma determinada compreensão de quem define, isto é, de alguma forma se apresenta enquanto discurso racionalmente aceito - em certo sentido, compreender e utilizar as regras da linguagem é adentrar em nosso mundo semântico e, portanto, compartilhar de nossa célebre razão de ser - o homem é racional na medida que fala, que comunica o que pensa. O discurso do louco - sob a égide de uma definição pretensiosa e precipitada - se apresenta difuso, pairando até mesmo nos espaços onde ele é interditado - no âmbito acadêmico por exemplo. Nesse caso, acreditar em uma verdade objetiva, ou na capacidade de compreender um texto em si mesmo - mergulhar na mente do autor - é admitir enquanto possível o que é fisicamente impossível, se perdendo na pretensão de ocupar o espaço de quem já se perdeu no tempo. A definição do discurso do louco não é tarefa da biologia ou qualquer neurociência, pois o discurso do louco se encerra em uma ética e estética, instaurando ao mesmo tempo algo no mundo - esse discurso “materializa-se”, efetiva-se em pessoas e, por conseguinte, as exclui por representar uma certa ininteligibilidade, pois essas pessoas dificilmente se encerram em conceitos . Creio, portanto, que o discurso do “louco” só pode ser visto como um outro tipo de discurso, quando se tem a sensibilidade para ouví-lo e vivenciá-lo; do mais, qualquer definição que implique em uma ética da interdição é nada além de uma arbitrariedade.

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