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Jornal iTEIA

27.09.2012 - 23h36

SEMINÁRIO INDÍGENA SEGUE COM LANÇAMENTO DE LIVRO ESCRITO POR SETE ETNIAS

Anciãos falarão sobre o Índio Marcelino e a Luta Tupinambá

Produção colaborativa Oca Digital

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O livro “ÍNDIOS NA VISÃO DOS ÍNDIOS: MEMÓRIA” será lançado nesta quita (28), na Aldeia Itapoã (Tupinambá de Olivença), às 11h, dentro da programação do IV Seminário Internacional de História Indígena Caboclo Índio Marcelino. Escrito pelos povos Tupinambá, Pataxó, Pataxó Hãhãhãe (BA), Karapotó, Kariri-Xocó (AL), Xokó (SE), e Pankararu (PE), a publicação é o décimo sétimo volume da premiada coleção “Índios na Visão dos Índios”, realizado pela ONG Thydêwá. Às 9h, anciãos vão rememorar a história e luta da liderança Tupinambá Marcelino José Alves.

Cacique Xarru Ingorá Mirim (Joel), Pataxó do Monte Pascoal, é um dos autores do livro e registra a memória de seu povo. “Um lema de toda a minha história de vida é divulgar a memória”, conta. São cerca de 16 mil Pataxó vivendo na região de Santa Cruz de Cabrália, Porto Seguro, Itamaraju, Prado, no norte de Minas Gerais, além de Monte Pascoal.

A área onde vivem tem o estudo de revisão de limites, mas o território ainda não está demarcado. A retomada do território Pataxó começou em agosto de 1999, pelo Parque Monte Pascoal. “O Ibama vinha reprimindo os índios desde a década de 1960, proibindo o trânsito na área, a pesca, a caça e até as orações no Monte, região sagrada para nosso povo”, lembra o Cacique. Depois da primeira, foram mais de 15 retomadas realizadas na região pelos Pataxó.

Os indígenas continuam sendo reprimido por pistoleiros, contratados por fazendeiros. Os tiros disparados não perdoaram nem as crianças. Em um dos conflitos mais violentos, em setembro de 2000, os Pataxó ficaram sob o fogo de pistoleiros, com a conivência da polícia, das 9h às 15h. Na época, os policiais foram denunciados pelos indígenas. O delegado da cidade de Prado foi exonerado do cargo. O comandante da Polícia Militar da Região, o então Major Roosewelt Salustiano Santos chegou a ser promovido a Tenente-Coronel, mas foi exonerado da PM baiana em julho deste ano.

A prática de criminalização das lideranças indígenas na região é bastante comum. O Cacique Joel foi processado pelas retomadas de terra. Em cinco processos, já foi absolvido. “Se eu fosse uma liderança comprada pelo governo, com certeza eu não tinha sido processado. Mas como eu luto, sou leal ao meu povo, nunca traí, sempre reivindicando o que é necessário para o povo”, comenta o Cacique. “Toda liderança que defende os seus direitos, em toda a história, foi condenada pelos poderes”, completa.

O livro, entre outros episódios, também registra a história do Caboclo Marcelino. Personagem presente na memória do Sul da Bahia, Marcelino José Alves foi uma liderança Tupinambá que organizou o movimento indígena para reivindicar seus direitos no início do século XX. Um dos poucos que sabiam ler e escrever, era visto como ameaça pelos brancos, sendo considerado um “Lampião”, Marcelino liderou a resistência contra a construção da ponte sobre o Rio Cururupe que liga o distrito de Olivença à cidade de Ilhéus, o que acabou facilitando a expulsão dos Tupinambá de suas terras. A luta ficou conhecida como “Revolta do Marcelino”.

A publicação de “ÍNDIOS NA VISÃO DOS ÍNDIOS – MEMÓRIA” foi contemplada pelo Prêmio Ponto de Memória, do Instituto Brasileiro de Museus, pertencente ao Ministério da Cultura. O livro também conta com imagens trabalhadas em laboratórios de apropriação de Artes e Tecnologias promovido pela Oca Digital, realizado pela Thydêwá e Cardim Projetos e Soluções Integradas, com o Patrocínio da Telefonica e Vivo. A Oca também conta com o apoio financeiro do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, e apoio da Cambuí Produções, do Pontão de Mídia Livre Esperança da Terra, e do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura.

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