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Jornal iTEIA

20.04.2012 - 13h51

A travessia afetivo-visual de Ed Carlos Alves de Santana

Exposioção "Retratos de Família" do Mestrado de Ed Carlos

Ascom - Valdeck Almeida de Jesus

ampliar Ed Carlos - Mestre em Belas Artes
Exposição de 26 de abril a 03 de maio em Salvador-BA

Basil Hallward, justificando ao seu irônico amigo Lorde Henry Wotton, porque não exporia o seu recém-pintado retrato de Dorian Gray, murmurou:
Todo retrato pintado com sentimento retrata o artista e não o modelo. O modelo é apenas uma casualidade. É um pretexto para que o pintor revele-se a si próprio. Mas, receio ter deixado neste retrato o segredo de minha alma...
Ser aquilo que se é através dos outros, como o pintor-personagem do irlandês Oscar Wilde, foi a proposta que Ed Carlos Santana assumiu nesta travessia feita através de seus retratos de família. Os rostos que delicadamente coloridos nos observam, foram produzidos à partir de referências fotográficas pessoais, o álbum de família, instância última em que habitam o semblante de nossos familiares e amigos quando já não estão mais conosco.
Nesta re-significação, Ed Carlos insinua o quanto o retrato pode gerar estranheza. E essa estranheza surge ao verificarmos que nosso rosto, capturado pela lente fria e objetiva do lambe-lambe, já não nos é familiar. Sou eu, mas diferente. Aparece aí a figura do pintor para restituir e acrescentar aquilo que nos torna o que somos. A mãe é o filho e o marido, assim como o pai é o irmão e o sobrinho. Todos, afinal, são apenas um: Ed Carlos.
Para além dos retratos, há a angústia de habitar duas tradições, a tradição familiar e a tradição da pintura, provocando no artista o desejo da ruptura. Ao longo de seu amadurecimento, o ato de pintar vai expurgando duplamente seus fantasmas, a Arte e a Família, num reencontro pleno onde a lembrança de seus familiares perdidos já não pode entristecê-lo, uma vez que já cumpriram sua missão, tornaram-se suporte e matéria para a paleta do pintor, habitando agora um Éden feito de guache e acrílica.
Outro poeta disse numa canção, corrompida especialmente para este momento, a seguinte afirmação:
Vou seguindo pela vida me esquecendo de vocês
eu não quero mais a morte
tenho muito o que viver
Vou querer amar de novo
e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço, do meu traço o meu viver!

E Viver é o que basta ao Artista.


Mike Sam Chagas
Pintor

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